8. O aprendizado
Após dias, meses ou anos vivendo no esculacho, o colostrado começa a ter ciência do estrupício que tem sido por tanto tempo. Com a ajuda dos amigos, dos guias, das profissionais do ramo, dos sacerdotes, da danada da cachaça, o colostro começa a se dissolver no peito como as calotas de gelo do ártico quando chega o verão. Mais consciente do estado frágil e encarando a situação com mais maturidade, o colostrado começa a tomar atitudes que visam o auto-conhecimento e a descoberta de si mesmo. Nesse momento, o colostrado:
- Inicia um curso novo de Iquebana, matemática financeira avançada ou de interpretação para adultos.
- Compra a máquina de fazer poodle bexiga, a pistola de cola quente e a Iorguteira Top Term.
- Começa a fazer a dieta da lua, da sopa e vai pra academia de polainas novas.
- Muda de emprego ou abre um novo negócio, como uma empresa de buffet infantil, um lava-rápido ou uma Temakeria.
- Faz curso de yoga, reike e manipulação de chá verde.
- Faz nova amizades com gurus iluminados, psicólogas, sociólogas, ecofenomenólogas e vão todos para São Tomé das Letras, Lindóia e Cananéia.
- Abraça árvores e faz adoração ao sol.
- Adota 3 gatos e 5 cachorros.
- Vai para o pólo norte salvar as baleias e as focas.
- Radicaliza o visual e pinta a racha de loiro platinado.
- Limpa o umbigo, faz depilação e corta a unha do pé.
- Redescobre o amor pela música brasileira e se apaixona de novo pelo Djavan. Vai no barzinho de música ao vivo com sua nova amiga socióloga, assistente social e vidente.
- Se descobre sensitiva e que sempre foi médium.
- Faz rituais leves para dar adeus ao colostro, como queimar cartas, jogar caixas em rios e comprar todos os Cds de sons da natureza.