Colostro, o que será de nossas crianças?
6. O desenvolvimento do Colostro.

O desenvolvimento do colostro se dá de várias maneiras. Apesar disso, existem elementos semelhantes em todos os colostros que valem a pena ser destacados.

Basicamente o colostro atinge a maturidade quando a pessoa começa a ter constantemente e simultaneamente sentimentos carregados de emoções como ódio, amor, raiva, culpa e êxtase.

É o momento em que certos pensamentos encontram eco na mente. São eles:

    • “por que eu não me sinto confortável nessa relação tão confusa?”,
    • “por que não consigo ser EU mesmo ao lado dessa pessoa?”
    • “porque sempre me sinto pedante, fraco e desprezível e acho que essa pessoa só está comigo por pena e por dó?”,
    • “porque penso a todo instante em terminar esse relacionamento, apesar de sentir que não posso viver sem ele?” .
    • “Porque quero fugir dessa pessoa e só de tentar fazer isso meu coração se parte em mil pedaços”
    • “porque quero competir constantemente com essa pessoa e sempre acho que ela está perfeitamente bem enquanto eu sou ansioso, carente e infantil?”
    • “porque preciso ouvir eu te amo o tempo todo?”
    • “porque eu gosto mais dele do que ele de mim?”
    • “porque ele não me ligou hoje nesse mesmo horário, como sempre faz?..”já sei, não gosta mais de mim, encontrou outra pessoa, esconde um segredo terrível”
    • “Porque eu passo o dia todo furioso porque não recebi uma reposta de e-mail, uma ligação, uma mensagem de texto e logo quando isso acontece eu perdôo a pessoa no mesmo segundo, e penso o quão ansioso e tolo eu sou”… “e porque no minuto seguinte começo a achar que a resposta dela foi vazia e sem carinho?”

Esses e muitos outros mil “porquês” acabam com a paz interior. O colostrado pensa e age tresloucadamente e sempre por impulso. Comete as piores gafes, faz as coisas mais sem sentido, fala e se cala, mente e desmente. Se é grosso, sente-se culpado. Se é doce, sente-se carente e pedante. Fala mal do amado para todos os amigos e no dia seguinte o perdoa e tem a cara de pau de dizer para todos que estava exagerando e que no fundo ele é uma boa pessoa. O colostrado sempre tem uma fantasia mirabolante na cabeça e por muitas vezes tem certa razão em tê-las.

Nesse momento então a outra pessoa na relação começa a tomar ciência desse estado emocional desatinado do colostrado. É nesse momento que aparece a figura do NUTRILISTA.

O Nutrilista nada mais é do que outra parte na relação do colostrado. É a pessoa que vai ter que lidar com o desatino alheio. É a pessoa que futuramente vai levar a culpa por tudo de errado que aconteceu nessa relação. Ele é o objeto no qual o excremento emocional de traumas passados encontrão finalmente uma forma, uma imagem, um reflexo.

O Nutrilista então começa aos poucos a querer sair da relação de uma forma tranqüila. Sim, o bom nutrilista é aquele que começa a forjar o próprio fim da relação, mas de uma forma anticéptica, onde, movido por um sentimento de pena, prefere jogar a culpa do fracasso nas costas do que dizer que a outra pessoa é totalmente louca, dependente e chata. É o famoso “A culpa é minha, não sua”; ou “Eu não estou num momento bom para ter alguém… você é boa demais pra se relacionar com alguém péssimo e confuso como eu”.

Por fim, o Nutrilista deixa o colostrado à deriva, na beira do precipício, no fundo do poço, no xurume do lixo. Nesse momento os níveis de empedramento emocional no peito encontram seu ápice. O colostrado vive seu pior tormento: o fim da relação.