Vale ressaltar aqui que a Teoria do Colostro possui vários colaboradores que enviaram e ainda enviam seus relatos. Muitas das frases em “aspas” que vocês encontram por aqui vieram de noites e noites de breaquice com essa rede maravilhosa de ex-colostrados! Obrigado a todos. Qualquer ajuda ou convite ao esculacho, envie e-mail para colostrados@gmail.com
Desenvolvida por Fabio De Almeida e Rafaella Gobara, a teoria do colostro surgiu como fruto dos estudos de psicodramatização do então criado Ciclo Emocional da Tênia, o CET, em relação aos padrões de comportamento humano nos eventos de interação social conhecidos como “A feira da fruta”.
Podemos dizer de uma maneira simplificada que o colostro é o empedramento emocional, fruto de um relacionamento afetivo desastroso, onde a parte afetada desatina descontroladamente. Nesse sentido, vale explicar a origem do Colostro dentro do CET (Ciclo Emocional da Tênia).
O Ciclo da Tênia é o nome dado ao eterno ciclo humano do aprendizado afetivo sexual pandêmico. Ele faz parte do desenvolvimento humano e está presente na vida de qualquer pessoa. É no campo dos relacionamentos afetivos amorosos que o CET se desenvolve em sua plenitude, não se restringindo a nenhuma faixa etária, cor, credo, raça ou composição anatômica, amorfa ou não.
São as etapas do CET:
1. A estrada que leva à casa de pau a pique.
2. O Encontro com o Véio do Rio.
3. O lago primordial infectado.
4. O consumo da Canjiquinha.
5. O colostro encubado (desenvolvimento da CET Solium ou CET Saginata).
6. O desenvolvimento do Colostro.
7. O ápice dos níveis colostrais.
8. O aprendizado.
9. A queda das taxas colostrais e o retorno gradual à Feira da Fruta.
10. O confronto com o Nutrilista original (reafirmação das relações iniciais de Nutrilismo e Colostragem).
11. A rebordosa e a volta à estrada.
12. Existe uma fórmula para sair do colostro?
Esse é o momento que você está em sua plenitude solteira. Livre para o que der e vier, você se joga e diz para todos que está muito bem assim. Que não sente falta de ninguém e que é bem melhor estar sozinho do que mal acompanhado. Aí você encontra uma pessoa nova, rola uma “paradinha boa” entre vocês e algo curiosamente bom e excitante aparece. Sim, meu querido, você acaba de adentrar à estrada que leva ao Véio do Rio.
Esse é um momento crucial para início do ciclo da tênia. O Véio representa a sua voz interior emocionalmente empedrada, oriunda de traumas passados, quiçá, complexos de Édipo. A pessoa que começa a despertar sua paixão é a chave-mestra que evocará esse inesperado encontro com o Véio. Nesse momento você irá perceber uma centelha de aflição, alegria e angústia queimar em seu coração, e o desenrolar dessa trama dependerá das condições finais do lago primordial em que o Véio defecará lembranças de outrora e que definirão os acontecimentos futuros da relação amorosa que você se encontra.
O lago primordial infectado é a arena onde será travada uma batalha intensa entre sua mente e seu coração. A intensidade dessa batalha se dará pela qualidade e quantidade de excremento emocional de traumas passados despejado pelo Véio do Rio no ato de sua visita, ou seja, quando a pessoa apaixonada começa a sentir sentimentos de um êxtase aflitivo pela outra pessoa. As condições iniciais do lago primordial também influenciam no desenrolar da trama. Um lago primordial virginal tem mais chances de evoluir em colostros mais fortes que um lago já infectado em outras épocas. Isso porque logo após o primeiro ciclo da tênia o lago primordial de cada um desenvolve “algas de ancas largas” de teor altamente tóxico e nocivo ao desenvolvimento da tênia, o que dificultará o aparecimento do segundo colostro e o consumo da canjiquinha. Por isso, se você é reincidente, fique tranquilo, nada será tão ruim quanto a primeiro encontro com o Véio do Rio.
Aqui é o momento em que você já é um colostrado em potencial. Os traumas de relacionamentos passados defecados em sua mente pela voz do veio do rio interior liberam em seu lago egóico primordial o elemento tóxico que inconscientemente se desenvolverá no colostro. Em outras palavras, essa etapa é aquela em que você começa a sentir pontadas incômodas no seu coração. É aquele sentimento de que “algo forte e estranho” nessa relação me incomoda. O consumo da canjiquinha é em suma o desconforto emocional que dá início ao ciclo doente de sua relação amorosa. A canjica se firma dentro do seu âmago e de lá não mais sairá até o final do ciclo da tênia.
Aqui vale ressaltar que existem dois tipos de colostros, que muitas vezes se confundem. Antigamente existia um tratamento específico para cada tipo. No entanto, hoje em dia, ambos são tratados da mesma forma. Isso porque pode ocorrer uma colostração cruzada, onde fica impossível detectar o tipo correto.
Basicamente o primeiro tipo, SOLIUM, é o colostro popularmente conhecido como Colostro Glen Close - atração fatal. Esse colostro é onde a pessoa comete atos como, pular do carro em movimento, atear fogo nas coisas do amado, dar vexame de bêbado e pedir um mambo caliente para o disque-joquei, ou seja, a pessoa comete todas as helenisses de escárnio e mal dizer.
O segundo tipo, o SAGINATA, é o colostro conhecido como o Colostro Grego de Rhodes. Nesse caso a pessoa dramatiza a paranóia de uma forma mais introspectiva. É o caso da pessoa que liga pro CVV na madrugada, que escreve e-mails de 100.000 caracteres e nunca chega a mandar; é a pessoa que desolada, vai passar 5 dias em Natal pela CVC. É a pessoa que faz amarração do amor, ouve Alpha FM e sofre atrás da porta.
Vale apontar que não é porque a sua personalidade é de índole pacífica que você será um colostrado Robin Willians. Muitas vezes, o fato do colostro estar atrelado a algum alter ego reprimido, levará você a encarar demônios que estavam adormecidos e sofrerá de distúrbios constantes de humor e auto-estima. Em alguns dias estará cheio de auto-confiança como Zé Meyer, mas no outro se sentirá como a Monga do Playcenter, assustando e pior, sendo motivos de chacota entre todos, inclusive seus amigos.
O desenvolvimento do colostro se dá de várias maneiras. Apesar disso, existem elementos semelhantes em todos os colostros que valem a pena ser destacados.
Basicamente o colostro atinge a maturidade quando a pessoa começa a ter constantemente e simultaneamente sentimentos carregados de emoções como ódio, amor, raiva, culpa e êxtase.
É o momento em que certos pensamentos encontram eco na mente. São eles:
Esses e muitos outros mil “porquês” acabam com a paz interior. O colostrado pensa e age tresloucadamente e sempre por impulso. Comete as piores gafes, faz as coisas mais sem sentido, fala e se cala, mente e desmente. Se é grosso, sente-se culpado. Se é doce, sente-se carente e pedante. Fala mal do amado para todos os amigos e no dia seguinte o perdoa e tem a cara de pau de dizer para todos que estava exagerando e que no fundo ele é uma boa pessoa. O colostrado sempre tem uma fantasia mirabolante na cabeça e por muitas vezes tem certa razão em tê-las.
Nesse momento então a outra pessoa na relação começa a tomar ciência desse estado emocional desatinado do colostrado. É nesse momento que aparece a figura do NUTRILISTA.
O Nutrilista nada mais é do que outra parte na relação do colostrado. É a pessoa que vai ter que lidar com o desatino alheio. É a pessoa que futuramente vai levar a culpa por tudo de errado que aconteceu nessa relação. Ele é o objeto no qual o excremento emocional de traumas passados encontrão finalmente uma forma, uma imagem, um reflexo.
O Nutrilista então começa aos poucos a querer sair da relação de uma forma tranqüila. Sim, o bom nutrilista é aquele que começa a forjar o próprio fim da relação, mas de uma forma anticéptica, onde, movido por um sentimento de pena, prefere jogar a culpa do fracasso nas costas do que dizer que a outra pessoa é totalmente louca, dependente e chata. É o famoso “A culpa é minha, não sua”; ou “Eu não estou num momento bom para ter alguém… você é boa demais pra se relacionar com alguém péssimo e confuso como eu”.
Por fim, o Nutrilista deixa o colostrado à deriva, na beira do precipício, no fundo do poço, no xurume do lixo. Nesse momento os níveis de empedramento emocional no peito encontram seu ápice. O colostrado vive seu pior tormento: o fim da relação.
Aqui o colostrado é o bagaço da laranaja, o xurume do lixo, o último dos últimos. Nessa fase todo empedramento toma conta da vida do colostrado. Ele não sabe o que fazer, que rumo tomar. Existe um sentimento misto de ódio ao Nutrilista original e auto-anulação e agora você sabe exatamente porque Morrissey dizia “and you go and stay on your own and you go home and you cry and want to die”.
Ainda nessa fase, atitudes insanas fazem parte da vida do colostrado. Coisas como:
Nesse sentido, desolado e sem encontrar saída, o colostrado ainda resiste e mais uma vez bota o pé na lama com gosto. Sim mais uma vez ele se joga no esculacho e tenta sair dessa. É nessa fase que o colostrado:
Após dias, meses ou anos vivendo no esculacho, o colostrado começa a ter ciência do estrupício que tem sido por tanto tempo. Com a ajuda dos amigos, dos guias, das profissionais do ramo, dos sacerdotes, da danada da cachaça, o colostro começa a se dissolver no peito como as calotas de gelo do ártico quando chega o verão. Mais consciente do estado frágil e encarando a situação com mais maturidade, o colostrado começa a tomar atitudes que visam o auto-conhecimento e a descoberta de si mesmo. Nesse momento, o colostrado: